Resident Evil Village: Sensação de Resident Evil 4 com o Poder da Nova Geração

6/5/21

Obviamente, Resident Evil 4 é um dos games da franquia com uma maior base da fãs, o que garantiu que o game, originalmente exclusivo para Game Cube se tornasse ao longo de 16 anos o jogo com maior número de versões para plataformas diferentes. O quarto game da série foi recebido com estranheza pela comunidade gamer da época, mas logo os fãs aceitaram que aquela poderia ser a nova forma de se jogar Resident Evil e por isso Resident Evil 4 marcou a franquia como o primeiro ponto de mudança.

O quinto e sexto jogos, seguiram a linha de ação da aventura de Leon no vilarejo europeu e saturaram rapidamente, principalmente pela grande quantidade de jogos de ação das épocas e é claro, os filmes que foram se afastando cada vez mais da ideia original dos games, por conta disso, a Capcom decidiu criar outro jogo com o impacto da mudança de Resident Evil 4 e resgatar o terror dos primeiros jogos, porém Resident Evil 7: Biohazard também foi recebido com estranheza, dividindo a base de fãs que amam ou odeiam o título, não havendo espaço para meio termo.

Finalmente Resident Evil Village (oitavo game, sequência direta de Resident Evil VII) foi lançado e de fato promete cumprir o papel que foi de Resident Evil 4, definir esta como a nova geração da franquia e consolidar a jogabilidade em primeira pessoa que antes de seu predecessor havíamos visto somente em Resident Evil Gun Survivor, de 21 anos atrás, porém, a jogabilidade neste novo título não é mais estranha e o ambiente envolvido consegue resgatar a nostalgia que sentimos ao jogar Resident Evil 4 em um de seus milhares de remasters.

Como dissemos acima, o cenário de Village possui grandes peculiaridades e semelhanças com Resident Evil 4, temos não só a vila, que se assemelha ao primeiro cenário do quarto game, mas temos um castelo que nos lembra muito a morada de Ramon Salazar e até mesmo uma fábrica que possui elementos industriais que nos remetem aos cenários dos primeiros games da franquia e é claro, os cenários em que enfrentamos os Regenerators em RE4.

Os personagens, embora não tenham tanta semelhança assim com os vistos no quarto game, possuem o mesmo charme europeu e apelo visual medieval que os personagens de Resident Evil 4. O mercador está de volta também, mas desta vez chamado de Duque, ele possui alguns itens de aprimoramento físico assim como em Resident Evil 7. Dentre os recursos que temos parecido com o quarto game, temos a possibilidade de comer coisas para recupuerar a saúde e comprar melhorias para as armas.

Em recursos, personagens e cenários, podemos claramente dizer que Resident Evil Village é um "Resident Evil 4 expandido e melhorado", porém, o enredo do game é diferente e possui diversas diferenças entre seu antecessor do Game Cube. Em Village, Ethan e Mia pedem ajuda a Chris e se refugiam na Europa, ondem seguem suas vidas longe das ameaças da Umbrella e chegam a conceber uma filha, Rose Winters.

Enquanto o casal tenta lidar com os eventos de Resident Evil 7, em que Mia permaneceu refém da família Baker e Eveline por três anos e Ethan foi perseguido, mutilado e psicologicamente abalado, tudo parece voltar a assombrá-los quando Chris e sua equipe invadem a casa dos Winters e levam Rose com eles, Ethan vai junto, mas sofre um acidente de carro acordando tempos depois e se deparando com os homens que levavam sua filha mortos, enquanto o bebê desapareceu.

Neste início, já somos apresentados aos Licans, lobisomens que infestam uma vila em ruínas e encontram um Ethan atordoado e confuso tentando desviar de ataques, disparos de flechas enquanto revida os ataques e constrói barricadas para se proteger, tudo isso se aproxima muito da primeira vez que Leon adentra o vilarejo e precisa arrastar móveis para portas e janelas com o objetivo de parar a seita misteriosa.

O objetivo de Resident Evil Village não é o mesmo de Resident Evil 4, matar inimigos, avançar na história e matar mais inimigos, Village possui o mesmo objetivo de Resident Evil 7, sobreviver, a qualquer custo e usando qualquer recurso disponível, já que aqui temos muitos recursos à disposição de Ethan. O protagonista continua um pouco mais lento, desajeitado e mais homem comum, que pode causar certo desconforto aos jogadores acostumados com personagens altamente treinados como Jill, Leon e Chris.

O game possui um número muito maior de inimigos em uma variedade muito grande, diferentemente de Resident Evil 7, em que tínhamos apenas um tipo de inimigo com duas variações, além dos bosses. Porém, devemos repetir, nem tudo é resilvido na bala, você precisa entender primeiro quais são os inimigos, como eles agem e só então decidir se vale a pena investir seu tempo e recursos em um confronto armado com eles.

É relativamente fácil captar recursos no game, munições são acessíveis a quase todo momento, além disso, é possível criar novos materiais ou comprá-los com o Duke. O gerenciamento destes recursos e itens são feitos por meio de uma mala, assim como Resident Evil 4, dando certa folga para captarmos muitos recursos, já que espaço era um dos grandes defeitos de Resident Evil 7, além disso, materiais usados na fabricação de melhorias não contabilizam como itens, o que garante ainda mais espaço livre em seu inventário.

Ao todo teremos quatro áreas para desbloquear a medida em que Ethan avança na história, a primeira área é a mais memorável de todas que é o Castelo de Lady Dimitrescu, que possui diversos licans espalhados, além de diversos elementos de terror e momentos em que furtividade é a única opção de se sobreviver, o ambiente se assemelha à mansão Spencer ou a Delegacia de Raccoon City, em que nos pegamos andando por vários níveis diferentes e resolvendo diversos puzzles para enfim chegar ao final do cenário. Durante sua caminhada pela mansão você terá diversos momentos com tipos de medos e angústias diferentes, talvez a maior dela é dar de cara com a dona do castelo.

Foto: Capcom

Todas as áreas possuem suas particularidades e características únicas. Se Resident Evil 4 era limitado pela tecnologia de seu tempo e entregava alguns elementos de cenários iguais e animações de inimigos idênticas em diversos momentos, Resident Evil Village se aproveita ao máximo dos recursos e liberdade de criação que o PlayStation 5 e Xbox Series X proporcionam aos desenvolvedores, não temos nenhum encontro desnecessário com inimigos e é claro, nenhum inimigo esteticamente diferente, mas comportamentalmente igual aos demais.

Obviamente quee nem tudo são flores, já que conforme avançamos e chegamos perto do final, o game possui muito mais ação do que terror, chegando a nos dar uma sensação de jogarmos shooters como Call of Duty ou jogos de ação clichê como Resident Evil 6. Isso torna algumas mudanças muito bruscas e talvez cause estranhamento nos jogadores que gostam de apreciar cada cenário de cada vez e levam alguns dias para finalizar o game, jogar de uma vez lhe proporciona uma mudança mais fluida, mas jogar um pouquinho a cada dia pode te dar a sensação de chegar ao final jogando um jogo diferente do que você começou a jogar.

A presença de Chris no final ocorre de maneira enigmática, com uma frase misteriosa que pode não parecer fazer muito sentido aos jogadores, o que pode indicar uma nova DLC focada no personagem (como a Not a Hero) ou uma sequência conclusiva. Mas podemos dizer que todo o progresso até este momento torna o jogo um dos melhores dos últimos lançamentos da franquia e é claro, o retorno de Mercenáries garante aos jogadores uma ótima atividade após concluir a história de Resident Evil Village.

Por: PhMordred

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