CyberLista: Personagens Trans nos Games

17/11/20

O Brasil é um país muito grande e inevitavelmente plural, e é claro que sua diversidade abrange não só etnias mas também diferentes sexualidades e por isso a comunidade LGBTQIA+ está cada vez ganhando mais espaço nas mídias, merecidamente, mas mesmo com o tema sendo mais discutido e abordado, o Brasil é um dos líderes mundiais em assassinatos de transexuais (ao mesmo tempo que é um dos países que mais procuram o tema nos sites pornográficos).

A transexualidade é o termo usado para definir pessoas que não se reconhecem em seu gênero biológico, ou seja, não se trata de uma orientação sexual, mas sim de um gênero como masculino e feminino, ou seja, uma pessoa que nasceu "menino" mas se reconhece como menina é uma mulher transgênero (ou transexual) e vice versa, mas uma pessoa que nasceu "menino" e se reconhece como tal pode ser chamado de homem cisgênero.

O termo pode ser complexo e complicado de se entender para algumas pessoas, pois um homem gay ainda é denominado como homem cisgênero, já que embora sinta atração por outros homens, ele ainda se reconhece como uma pessoa do sexo masculino. Então além do gênero, há a sexualidade, portanto existe uma parcela de pessoas transgênero que são homossexuais, ou seja, pode haver um homem trans que goste de outros homens (nasceu "menina" se reconhece como menino, e continua gostando de meninos).

Por isso é comum transexuais serem as pessoas do meio LGBTQIA+ a sofrerem mais preconceito, inclusive dentro da própria comunidade. Mas o jogo está mudando e as pessoas falam cada vez mais sobre a transexualidade e como pessoas trans são apenas pessoas comuns tentando viver suas vidas como todas as outras e embora haja pessoas famosas que acreditem que não, nós concordamos que pessoas trans merecem respeito, por isso, mesmo que não haja um game com protagonismo transexual, fizemos hoje uma CyberLista especial Personagens Trans nos Games.

Birdo - Super Mario Bros. 2 (1988)

Foto: Nintendo

Se hoje transexuais são pouco discutidos e conhecidos, em 1988 era muito pior, mas a Nintendo foi pioneira em apresentar a primiera personagem transgênero dos games, Birdo foi referenciada como "um homem que acredita que é uma mulher" e (embora seja oficialmente chamado de Birdo), seria chamada de Birdetta.

Poison - Final Fight (1989)

Foto: Capcom

Esta é uma personagem que reúne muita polêmica acerca de sua sexualidade, dependendo da região em que Final Fight foi lançada, ela é considerada uma mulher transgênero pré-operatória (Japão) ou pós-operatória (EUA e Europa), atualmente ela integra o universo de personagens do jogo Street Fighter e infelizmente, como as demais garotas do jogo acaba sendo hipersexualizada.

Atualização: Nosso leitor Ítalo Gonsalves nos apontou umas curiosidades acerca da personagem e as influências da sociedade mais conservadora da época. Na versão europeia de Final Fight, Poison teve seu short substituido por uma bermuda e na versão estadunidense, simplesmente substituíram a personagem por um homem chamado Sid que possui o mesmo move set e substituiu a personagem conforme podemos ver nas imagens abaixo.
Foto: Facebook

Flea - Chrono Tigger (1995)

Foto: Alpha Coders (personagem de: Square)[/caption]Flea é um personagem de Chrono Tigger que se apresenta como feminino, mas se reconhece como homem. Flea é um dos vilões da série e possui poderes psiquicos, ele é um dos generais de Magus e um dos bosses mais difíceis de ser derrotado em Chrono Tigger, infelizmente nõa há muito aprofundamento em sua história no game, principalmente por ser de uma época em que a construção da história era menos importante do que a jogabilidade, embora Chrono Tigger tenha uma história muito complexa e cativante para os jogos da época, talvez se fosse desenvolvido nos dias atuais, houvesse um aprofundamento maior na história dos vilões.

Morpheus D. Duvall - Resident Evil Dead Aim (2002)

Foto: Kotaku Australia

Em Resident Evil há um personagem transexual em um de seus spin offs, Morpheus D. Duvall é um vilão obcecado pelo conceito estético e para alcançar seu ideal de beleza acaba passando por diversas cirurgias de reatribuição de gênero até que em certo momento do game, ele aplica um vírus mutagênico que o transforma em um monstro com uma forma feminina.

Lev - The Last of Us Part 2 (2020)

Foto: Naughty Dog

Lev é uma personagem de apoio em The Last of Us Part 2 e apresenta um conceito mais novo de transexualidade, mais próximo da realidade, acompanhamos até o momento a evolução da abordagem do gênero nos games, iniciando com uma personagem que embora tenha toda sua característica feminina, ainda carrega um nome masculino, em seguida uma personagem sexualizada e outra que embora se reconheça como homem ainda se parecia como mulher, Morpheus, por outro lado passou por procedimentos extremos e sucumbiu à loucura da vilania proposta no game. Todos os jogos anteriores foram importantes em apresentar personagens trans e retratar como são, personagens normais e comuns, embora tenham suas características que nos conceitos mais atuais parecem não fazer muito sentido, mas se analisarmos dentro do contexto de suas épocas é extremamente normal e natural que haja uma evolução gradativa a cada década.

Por isso encerramos nossa lista com Lev, pois com o lançamento de The Last of Us neste ano, sua apresentação representa a visão atual de pessoas transexuais, ou seja, alguém comum que se apresenta como realmente se vê, além disso, a construção do personagem mostra dramas que pessoas trans sofrem constantemente. Nascida como Lily, ele fazia parte de uma vila de Seattle e constantemente questionava as atitudes da facção a qual fazia parte, mas com medo sempre guardou para si estas dúvidas morais. Um dia resolveu raspar sua cabeça e mudar seu nome para Lev e este ato foi visto com maus olhos pelos membros da comunidade que enxergaram sua libertação como um desafio aos membros mais antigos da vila.

Lev então teve que fugir para evitar ser morto pelos membros de sua própria comunidade, sua irmã, Yara o seguiu e decidiu viver ao seu lado para que juntos pudessem se defender dos intolerantes, a mãe de ambos resolveu se abster e ficar na comunidade, abandonando os filhos em um mundo cruel, insensível e pós apocalíptico. Infelizmente esta é a realidade de muitas pessoas da comunidade LGBTQIA+ que não precisam viver em um mundo pós apocalíptico cheio de Estaladores, ou comunidades sem leis universais que despertam a selvageria das pessoas para sentire medo.

A visibilidade transexual é importante e deve ser mais difundida e respeitada, temos profundo respeito e admiração por cada personagem desta lista e temos a esperança que os jogos das próximas gerações ajudem ainda mais as pessoas intolerantes a repensarem seus atos e convicções para simplesmente respeitar o direito de existência de todos, todas e todes.

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Por: PhMordred

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