CyberHorus - A crônica de Tot Capítulo 8 - Renegados

17/11/20

Tot, o deus egípcio dos escribas é famoso pelos seus contos e crônicas, desta vez em conteúdo original, será iniciada uma série escrita que contará a história de um futuro distópico governado pelo misterioso Deus Hórus e suas células de poder.A história possui elementos Cyberpunk e Steampunk e contará uma jornada de autoconhecimento do misterioso Amon.

Perdeu o capítulo anterior?

Capitulo 8 - Renegados

Amon, Hatset e Sin caminhavam sobre a areia quente sem dizer uma palavra, mas era visível em seus rostos uma expressão única de questionamento, indagando sobre a identidade do misterioso homem, seu uniforme velho e marcado indicava que o soldado passou por muitas batalhas, suas botas cobertas de areia já não eram tão belas e lustrosas como as da Guarda Solar.

O turbante que cobria seu rosto deixava para trás um rastro com as pontas do lenço, como se fossem lançadas ao vento, pequenos grãos de areia fina se desprendiam e era como pó de ouro e o homem sem nome permanecia firme em sua caminhada sem sentir o peso do calor, das roupas ou da grande arma que já foi reparada diversas vezes. Eles caminharam por cerca de uma hora até o silêncio ser quebrado por Sin.

- Estou com fome, quando vamos chegar em HexaDuo?

- Você se lançou ao deserto sem vida e esperava encontrar alguma coisa para comer? - perguntou o homem calmamente. Quase que era possível sentir que ele sorriu de canto de boca ao dizer isso.

- Foi uma decisão que precisava ser tomada, você não entenderia. - concluiu Sin

- Vamos ver se eu entendo, Hator forçou vocês a enfrentarem uma situação onde tiveram que provar sua lealdade e amizade, depois mandaram vocês para uma prova de valor e devoção aos deuses. Nunca vi três, são sempre pares, isso talvez deve explicar como vocês tiveram um destino diferente e caíram aqui como frutas podres. - disse o homem.

- Como sabe disso? Você é um espião? - perguntou Amon.

- Se estava presente, por quê eu não pude te ver? - questionou Hatset.

- Tem alguma fruta com você? - disse Sin

Os três pararam e o encararam, até que Sinthemet disse.

- O que foi? Eu disse que estou com fome, agora que não estamos mais em perigo, meu corpo pede comida.

O soldado colocou a mão em um de seus bolsos da calça e jogou um pêssego para Sin, que antes que pudesse comê-lo, sentiu sua textura macia, seu cheiro inconfundível, enfim ele cravou seus dentes brancos delicadamente na carne da fruta, que possuía um sabor tão doce e reconfortante quanto o que ele sentira em TriCell. Antes que mastigasse pela primeira vez o pedaço que estava em sua boca, seus olhos se reviraram e ele soltou um gemido de satisfação que foi interrompido pelo soldado anônimo.

- Isso é um padrão que ocorre todos os anos, sempre que há a seleção dos cidadãos das hexacities e seu transporte às células, sempre há uma dupla de amigos inseparáveis que acabam se destacando e se voltando contra o Deus responsável pela Célula, que quer separá-los e converter a amizade em inimizade. Este é o primeiro passo, o segundo passo, caso o primeiro não dê certo, é transportá-los pela via que liga as células e os colocarem em uma grande embarcação e na próxima parada lhes dar uma tarefa que testará sua devoção e lealdade aos deuses e é aí que a maioria cede. Todos cedem ao desejo de riquezas, poder e banquetes, eles embarcam em outra nave direto ao deserto, trajando armaduras e grandes armas, rumo a HexaDuo com o objetivo de matar Isis, quem tiver êxito se torna o Campeão de Hórus, ganha um importante papel de destaque em HelioCell e terá enfim todas as riquezas que sempre sonhou.

Neste momento, o soldado parou ao lado de uma pequena estrutura de metal enterrada na areia, abriu uma escotilha e disse:

- Vamos, agora HexaDuo não está longe, Isis contará a vocês o resto da história e tirar todas as suas dúvidas.Ao fechar a escotilha, os quatro renegados esquecidos por Hórus estavam em um grande túnel, onde um belo trem cheio de engrenagens e canos de cobre transferiam o vapor raivoso das caldeiras para o motor que impulsionariam o feroz veículo rumo ao destino final.

- Gostaram de nossa linha férrea? - questionou o soldado.

- É impressionante. - Disse Hatset.

- HexaDuos agora é uma cidade subterrânea onde podemos nos esconder de Hórus, seus escolhidos sempre chegam à escotilha, mas sempre morrem nos túneis, pois não sabem se localizar dentro do nosso grande labirinto e é por isso que acreditamos que Hórus só consegue enxergar o que a luz de seu maldito sol toca. Descansem um pouco, a viagem é longa.

Após dormirem tranquilamente, Hatset, Amon e Sinthemet acordaram com o forte barulho da locomotiva soltando seu vapor ferozmente anunciando sua parada total. Um forte apito anunciou a chegada dos três, que quando desembarcaram tiveram uma grandiosa surpresa.

A cidade subterrânea era bela, com vasta vegetação, pomares tão lindos quanto os de Hator, cachoeiras lindas e barulhentas, casas e prédios que pareciam fazer parte da paisagem natural daquele lugar tão belo. E no centro da cidade, bem no centro de um grande lago que alimentava os moradores e os animais que ali viviam, havia uma grande biblioteca, com uma dimensão maior do que qualquer construção daquele lugar ou maior do que qualquer biblioteca das células, a construção redonda possuía um brilho resplandescente mais glorioso que as estátuas dos deuses nos centros se suas células e foi para aquela belíssima bilbioteca que o homem os levaria.

- Vamos para lá - disse o homem saindo do trem.

Quando os três se viraram, observaram espantados que agora o homem trocou de roupa, ele estava vestindo uma bela túnica branca que cobria todo seu corpo, as mangas da túnica cobriam até a metade de seu antebraço que era adornada com lindas joias que não se pareciam com ouro ou as outras joias que os amigos já tinham visto. em sua cabeça havia uma coroa longa que alongava sua cabeça, sua pele verde era quase sem vida, mas ainda assim transparecia serenidade e vida.

- Agora é seguro dizer meu nome, muito prazer, eu sou Osiris e cuido deste lugar ao lado de minha amada Ísis. Agora, se já estiverem descansados, vamos à biblioteca central comer e conversar com minha adorável esposa.

A biblioteca central era ainda maior por dentro, seus andares eram repletos de livros de todos os temas, as escadarias pareciam não ter fim e aquele lugar tão quieto e silencioso era o edifício mais cheio de pessoas em toda a cidade, no andar de baixo havia uma mesa farta cheia de comidas e bebidas de todos os tipos, além é claro das águas frescas e geladas do lago abaixo.

Ísis se levantou para comprimentar os três amigos, ela era bela, sua pele arábica ainda era bronzeada mesmo após tantos anos sem a luz do sol de hórus, seus cabelos negros eram ornamentados com pelas pedrarias coloridas e seu vestido era um tom de branco que nenhum deles viram antes, em suas belas pulseiras, havia um belo véu fino com muitas cores que iam até suas costas. Sua voz era doce como o canto dos mais lindos pássaros.

- Finalmente vieram três de vocês. Sentem-se vou contar a vocês a história de HexaDuo e infelizmente, devo lhes dar a tarefa mais difícil de suas vidas, mas que faz parte de seus destinos.

- Se estamos destinados a isso, devemos saber primeiro, já que claramente nossa missão tem ligação com este lugar. - disse Hatset.

- Gostei de você, você deve ter sido o elemento inesperado. Bem, a missão de vocês é matar meu filho e derrubar HelioCell. O povo merece ser livre das vontades de Hórus.

Continua...

Por: Tot

As notícias mais quentes