CyberHorus - A crônica de Tot Capítulo 6 - Terror em ArbCell

17/11/20

Tot, o deus egípcio dos escribas é famoso pelos seus contos e crônicas, desta vez em conteúdo original, será iniciada uma série escrita que contará a história de um futuro distópico governado pelo misterioso Deus Hórus e suas células de poder.

A história possui elementos Cyberpunk e Steampunk e contará uma jornada de autoconhecimento do misterioso Amon.

Perdeu o capítulo anterior?

Capitulo 6 - Terror em ArbCell

Ao darem as costas à imponente e majestosa estátua do grande Deus Crocodilo, os soldados da marinha de Sobek cobriram seus rostos com sacos pretos, eles não enxergavam nada, mas podiam sentir a fina camada de água sobre seus pés, os passos criavam ondas que tornavam imperceptíveis os caminhos tomados, até mesmo para Hatset e sua astúcia.

Após caminharem por um longo tempo, e descerem uma grande escada húmida e escorregadia, cada um dos três sentiu uma pancada atrás das pernas os fazendo desabar de joelhos. Ao terem seus capuzes arrancados de suas faces, puderam vislumbrar uma imponente figura, um grande lenço dourado sobrepondo o tecido branco em suas pernas, o tronco forte, ornamentado com belas jóias que contrastavam com o brilho negro de sua pele, sua máscara, logo acima de um largo colar azul e dourado entregava sua verdadeira identidade, Sobek, rei dos caminhos do nilo, Deus das águas. Sua face coberta por uma máscara metálica, preta, no lugar onde deveriam ser os olhos, jaziam pedras preciosas azuladas com brilho intenso, porém quase morto, no topo de sua cabeça, uma pequena coroa dourada.

- Finalmente os enviados de Hator vieram para me ajudar! - disse uma grave voz através da máscara.

- O que quer de nós? - questionou Sin com tom de raiva.Antes que Sobek desse qualquer resposta, virou-se com os braços para trás e deu de ombros, sua respiração funda e expiração forte ecoava pela grande galeria subterrânea, húmida e gelada. Sobek voltou seu rosto para a esquerda, e ao seu lado, o líder de sua guarda pessoal contou o motivo dos amigos estarem em ArbCell ao invés de serem banidos ou mortos.

- Não sei se notaram, mas as ruas estão vazias, as pessoas estão com medo, nosso tratamento de água está comprometido e tememos não haver água potável, ou limpa o suficiente para garantir o uso nas hexacities milhões de pessoas morrerão, adoecerão e não poderão cultuar o poderoso Hórus. Acima disso, roubaram a lança do grande Sobek e estão matando cidadãos de ArbCell para acusar nosso soberano e manchar sua imagem, a marinha de Sobek não consegue identificar o autor dos crimes. Isso assusta nossa população e ninguém mais sai às ruas.

Amon e Sin observavam atentamente o discurso do líder da Marinha de Sobek, mas Hatset observava outras coisas como a postura da guarda pessoal do deus Sobek, o ambiente onde estavam inseridos e acima de tudo, a postura do grande homem que se escondia na máscara de crocodilo exageradamente grande que mal se encaixava ao rosto de Sobek.O homem foi interrompido pelo Deus que virou-se furiosamente e disse:

- Descubram quem é o canalha que quer me destruir, tragam ele para mim e prometo lhes conceder o direito de viver sendo os emissários do grande hórus, meu pai pode ter me abandonado mas sei que se demonstrar fé diante deste momento difícil, ele irá me recompensar. Me ajudem e eu os ajudarei.Sinthemet, Amon e Hatset se entreolharam e assentiram com a cabeça e partiram com escolta e rostos cobertos para a parte externa da galeria. Já nas ruas, passaram a observar pistas, como as manchas de sangue na estátua de Sobek. Amon pediu para o líder da guarda para ver os corpos dos que morreram anteriormente.

- Já viraram ração. - disse o soldado em tom de deboche, dando a entender que as pessoas haviam sido enviadas à TriCell para o processamento dos corpos.Amon pediu que o soldado lhes mostrassem os locais onde os corpos foram encontrados, mas Hatset os interrompeu e pediu acesso à biblioteca, o líder da Marinha de Sobek achou aquilo estranho, mas concentiu que ela tivesse acesso desde que acompanhada por um de seus homens. Os dois partiram e os demais soldados ficaram com seu líder, Amon e Sin.

Eles partiram em busca dos demais locais, o primeiro foi próximo aos aposentos de Sobek, três dias atrás, não havia manchas de sangue, mas sim sinais de luta, alguns vazos foram quebrados e cortinas dos corredores rasgadas. Amon deduziu que a pessoa tivesse sido atacada naquele lugar, mas algo não parecia estar certo, ao questionar sobre a vítima, um dos soldados disse ser uma mulher, ele ouviu seus gritos e quando chegou ao local para ajudá-la, a pobre vítima já jazia sem vida no chão do grande corredor com sua garganta cortada e tórax esvaziado como o sacerdote que fora encontrado nos pés da estátua.

O segundo corpo fora encontrado horas depois, próximo às escadarias do grande palácio de Sobek, as paredes possuíam ranhuras, como se a lança do grande deus fosse batida contra os grandes blocos durante a luta com seus cidadãos, o líder dos soldados disse que o homem encontrado ali era magro e alto, morava ao lado do grande salão e era muito devoto de Sobek, sempre lhe fornecendo oferendas.

A terceira vítima fora outro sacerdote devoto que foi encontrado dentro de seus aposentos, o quarto estava revirado, gavetas no chão, colchão caído nos pés da cama, desta vez havia sangue nas paredes, mas não havia marcas delâminas, outro soldado que fazia a escolta disse que foi o responsável por encontrar o corpo, pois estava fazendo sua ronda como de costume e achou estranho a porta dos aposentos estar entreaberta.Antes de realizar qualquer pergunta ao líder da guarda, Amon achou melhor esperar Hatset voltar da biblioteca, ele achou estranho sua decisão, mas respeitou a vontade de sua amiga.Momentos mais tarde, encontraram Hatset com sua escolta.

- O que vocês fizeram? - questionou o líder.

- Ela ficou lendo os livros sobre legistalação das células. Mas não fez nada suspeito - respondeu o soldado.

Seus rostos foram novamente cobertos e eles foram levados à galeria os três conversaram baixo demais para qualquer soldado ouvir,  mas o pouco tempo até Sobek se revelar foi o suficiente para chegarem em uma conclusão. o Deus Crocodilo então adentrou a galeria por um buraco feito na parede de tijolos e questionou com seu tom autoritário.

- E então, o que descobriram?

- Hatset foi à biblioteca tentar entender o contexto do caso enquanto nós fomos às cenas dos crimes. Conversamos um pouco e decidimos que o senhor foi vítima de conspiração. - disse Sinthemet

- E quem ousaria conspirar contra a minha autoridade? - perguntou Sobek em tom arrogante.

- Esse é  problema, senhor, não tivemos tempo suficitente para deliberar sobre o caso. E nem conseguimos interrogar a principal testemunha. - disse Amon.

- E quem seria esta testemunha?

- Você - disseram os três quase em sintonia.- Pois bem, façam suas perguntas!Hatset começou com sua astúcia e inteligência

- Quando foi a última vez que você esteve com sua lança nas mãos?

- Há uma semana, nunca usei muito a lança, a expunha apenas em ocasiões oficiais, nunca me agradou governar usando uma arma como símbolo.

- O senhor conhecia as vítimas? - questionou Sinthemet

- A primeira não, a segunda vítima o via apenas em cultos e andando pelos corredores do palácio, o terceiro que morreu em seu quarto também não conhecia, e o último, que vocês acharam, era um sacerdote muito próximo que eventualmente me dava conselhos sobre a forma de gerir ArbCity.

- Agora tudo faz sentido! - disse Hatset de forma enérgica.

Todos a olharam como se questionassem sua inteligência ao mesmo tempo em que se questionavam "como não percebemos nada ainda?".

- O primeiro corpo claramente foi plantado, como Amon me disse, havia sinais de luta, mas não de sangue. Como alguém poderia ser morto de forma tão brutal sem despejar uma única gota de sangue? Como poderia haver uma luta tão intensa que um sacerdote caminhando no corredor não pudesse ver? - questionou Hatset - Eu mesmo respondo. Um sacerdote fiel que sempre vai rezar para o senhor quando chega sua hora de repousar e visse alguém plantando provas contra seu Deus e que na tentativa de fugir sem ser visto foi pego e levado à porões de tortura que ficam localizados há cerca de 550 passos atrás, eu ouvi os gritos quando descemos até aqui. - continuou Hatset - Com certeza o assassino levaria a arma do crime para casa e seria perseguida pela sua guarda pessoal, ele foi morto no próprio quarto, o que explica o sangue no cômodo, a sua lança foi procurada pelo aposento, com certeza foi achada e usada no mais recente crime. Se voltarmos onde apontei tenho certeza que encontraremos caminhos abertos pelas paredes de tijolos da galeria levando ao aposento de tortura logo abaixo de seu palácio, assim como o caminho que abriram até seus aposentos, ou você acha que pensaríamos que você abriria mão de dormir no seu quarto luxuoso para dormir em uma galeria fria e húmida?

Eles foram andando pelo caminho descrito por Hatset até a câmara de tortura, onde um dos soldados da guarda pessoal de Sobek estava torturando uma pessoa com a lança de seu Deus.

- Guardas, prendam-no! ordenou Sobek.

O Líder de sua guarda tomou a frente avançando furiosamente contra seu subordinado, que olhou ofegante de medo para seus companheiros.

Você continua sendo muito ingênuo. - Hatset o interrompeu - Parem com este teatro, seus golpistas! Os soldados que você carrega com orgulho e lealdade, viram na tentativa de incriminá-lo uma oportunidade de trabalharem juntos e colocar no poder alguém que eles mesmos confiassem e que nitidamente não sabia de nada, o Líder da Marinha de Sobek, ou você não sabia que segundo a legislação das células, se um deus for deposto por Hórus, o líder de sua guarda pessoal toma seu lugar como deus?

Sobek então pegou um martelo e o arremessou contra o joelho de um dos seus guardas, que caiu no chão gritando de dor ao ver sua perna quebrada jorrando sangue pelos ferimentos causados quando as pontas dos ossos romperam sua pele e sua roupa.

- Expliquem-se! Traidores!Enquanto um dos soldados amparava seu companheiro no chão o outro tomou a frente

.- Me perdoe, Capitão, mas era necessário. Sobek é muito benevolente e não possui força suficiente para comandar a marinha e sua frota tão bem armada e equipada. Nós sabemos que sua lança original com poderes divinos foi roubada e você encobriu isso matando quem ousasse questionar, sabíamos que era disso que ArbCell precisava, alguém de pulso firme e liderança capaz até mesmo de matar seus irmãos para garantir a ordem e não gerar caos. - e então continuou - Sei que se propuséssemos a você, jamais aceitaria trair seu deus, por isso nos aproveitamos dos assassinatos e decidimos agir para que você chegasse legitimamente ao poder.

- Onde está legitimidade na traição? - gritou o Líder da Marinha de Sobek.

Em seguida, ele ergueu sua arma e deu uma rajada de energia na face de seus três soldados, eles caíram no chão sem vida com a face fundida em metal derretido e expressão de dor.Desolado, o capitão caiu de joelhos aos pés de Sobek e disse:- Sei que o senhor é benevolente e irá me perdoar, mas eu não posso me perdoar por falhar assim com o senhor.

Assim, o até então líder de confiança de Sobek, voltou a arma para sua própria cabeça e tirou sua vida. Sobek vendo aquilo respirou fundo e disse

- Entendi tudo agora. Não o perdoaria por ser tão cego diante de seus próprios homens e por isso tomarei uma nova postura. Mas antes de eu fazer um pronunciamento oficial aos meus cidadãos e apresentar os corpos dos traidores, quero que me sigam, tenho uma missão para vocês.

Continua...

Por: Tot

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