CyberHorus - A crônica de Tot Capítulo 5 - Caminho do Nilo

17/11/20

Tot, o deus egípcio dos escribas é famoso pelos seus contos e crônicas, desta vez em conteúdo original, será iniciada uma série escrita que contará a história de um futuro distópico governado pelo misterioso Deus Hórus e suas células de poder.

A história possui elementos Cyberpunk e Steampunk e contará uma jornada de autoconhecimento do misterioso Amon.

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Capitulo 5 - Caminho do Nilo

Após revelar sua história ao trio de amigos, Hator solicitou que o líder da Guarda Solar os acompanhassem até os portões do Nilo, onde partiriam rumo a ArbCell, célula de HexaArb, lar de Sobek. E todos deixaram o grande salão escoltados pelo líder e mais três soldados, cruzaram TriCell em pleno horário de repouso, quando nenhum dos trabalhadores estavam no local. Quando chegaram próximo aos portões da via de transporte entre as células, o líder da Guarda Solar pareceu receber ordens em seu comunicador, pois ele se inclunou como se não pudesse ouvir.

Pouco tempo depois os portões se abriram e uma grande estação foi revelada, um grande barco a vapor aguardava Amon, Sin e Hatset. Este barco tinha formato parecido com os grandes trens que ligavam as hexacities, mas diferente dos trens, o barco era adornado com detalhes dourados e tinha uma cor escura como as sombras da face sombria da Terra, o barco, embora comprido, era baixo e dividido em vagões, ele iria percorrer uma via aquática que ligava TriCell e ArbCell, provavelmente o caminho também ligaria as outras células entre si e servia para transportar soldados e deuses.

O capitão da embarcação foi de encontro aos soldados que escoltavam os amigos e se dirigiu ao líder do grupo.

- Então, estes são os curiosos de quem Sobek me falou. - disse o homem alto, trajado com uma bela farda que consistia em uma calça, sapatos nauticos e uma jaqueta com gola alta e mangas compridas, a roupa toda era preta como se fizesse parte do corpo do homem, as únicas coisas diferentes em seu traje eram suas luvas brancas e uma máscara em formato de jacaré, lembrando a face do Deus Sobek, mas sem sua tradicional coroa. sua máscara era metálica, mas em uma cor branca e abafava sua voz devido ser demasiadamente comprida e pesada.

- Hator mandou que ficassem de olho nestes três até que pudessem se encontrar com Sobek. - respondeu o líder da Guarda por trás de sua máscara de falcão.

- Hator já lhes falou sobre a missão? - Indagou o capitão em tom de deboche.

- Que missão? - questionou Sin em tom preocupado.

- Calado, escória! - e subtamente um dos soldados lhe deu um soco forte que fez Sinthemet cair de joelhos.

Em seguida, Hatset e Amon levantaram o amigo e o pediram que ficasse quieto.- Hator achou melhor que os três deveriam saber somente quando chegar a hora.  - continuou o líder da Guarda Solar.

O capitão da Marinha de Sobek pediu que os três o acompanhassem à embarcação que era internamente equipada com armas de guerra e muitos dormitórios, havia soltados por todos os lados, todos trajando roupas que protegiam contra frio e umidade e máscaras que remetem o Deus Crocodilo do Nilo, mas menores que a grande máscara do capitão e diferente da imaculada máscara branca de seu líder, as máscaras dos marinheiros eram pretas como o resto de seus uniformes.

Sinthemet ainda sentia dores na barrida devido ao forte golpe que levara momentos antes e não percebeu que a Marinha de Sobek era diferente da Guarda Solar de Hórus, enquanto isso, a sempre atenciosa Hatset já havia prestado atenção em todos os detalhes da embarcação e dos marinheiros, assim como suas armas. Amon tentava observar com a mesma astúcia de Hatset, mas só conseguia pensar em quão machucado física e mentalmente estava seu amigo que passou por grandes problemas nos porões sangrentos de TriCell. O capitão os deixou em um dormitório e os avisou que as ordens eram para deixa-los livres para explorar as dependências do grande navio de guerra de Sobek, que os transportariam entre as células.

Ao fechar da porta, Amon disse:

- Vocês não estão achando isso muito estranho? Nós descobrimos segredos muito sujos sobre o fornecimento de comida de nosso povo e em troca, Hator nos contou sua história de vida, a formação do organismo, nos revelou coisas que nunca li em registro nenhum e nos mandou para outra célula para vivermos normalmente como se os outros trabalhadores de ArbCell já soubessem o que acontece. Estamos aqui há muito tempo já e o navio não se moveu nem um pouco, não ouvi nenhuma caldeira em funcionamento e não senti nenhum movimento Eu não sei vocês, mas acho melhor nos esgueirarmos até a cabine do capitão e tomar esta embarcação para nós antes que nos matem. Podemos usar algum veículo para voltar à HexaTri e avisar as pessoas, Os soldados aqui não andam armados.

- Você não prestou atenção em tudo, não é? - questionou Hatset.

- Como assim? - disse Amon.

- Os soldados usam uma pulseira, iguais em todos, esta pulseira possui ranhuras que acredito que servem para abrir armários escondidos em vários lugares dos corredores da embarcação, algo me diz que eles não andam armados para serem mais ágeis e que esses buracos nas paredes abrem armários de armas, justamente caso alguma rebelião ou ataque seja feito contra a Marinha de Sobek. Devemos sair e explorar mais este navio para entender mais sobre seu funcionamento, eu tenho boa memória e boa intuição, acho que entender este barco será útil no futuro.

E então partiram os três, de vez em quando parando para observar curiosas armas ou equipamentos, eles perguntavam aos marinheiros que respondiam sempre que podiam, após algumas horas andando ainda sem sentir movimentação, os três encontraram uma escada que direcionava aos porões da embarcação. Embora o final da escada parecia escuro, havia luzes de fogo em movimento que trazia iluminação ao ambiente.

- Não gosto disso. - disse Sinthemet.

- Aqui deve ser onde ficam as caldeiras. - disse Amon.

Sinthemet, como sempre foi o mais corajoso do grupo e desceu na frente seguido por Amon e Hatset. ao chegarem no final da escada, as suspeitas se confirmaram, havia diversas caldeiras e sistemas complexos de encanamento de cobre e válvulas de metal. Os canos de cobre refretiam lindamente a cor das chamas que eram alimentadas por um carvão negro como o uniforme dos marinheiros que os manuseavam. Mesmo estando em ambiente de calor extremo, os trabalhadores ainda ostentavam seus impecáveis uniformes negros e máscaras de metal. Os três não entenderam o porquê dos trabalhadores estarem alimentando as chamas enquanto a embarcação ainda estava parada. De qualquer forma, eles se dirigiram a um elevador com um sistema simples de contrapesos e os levariam ao topo da embarcação.

Chegando no convés do navio, Amon ficou surpreso com o forte vento em seu rosto, a água batia contra o grande navio, o vapor saía forte dos canos na parte lateral cobrindo o caminho que era deixado para trás com uma forte neblina, e os três compreenderam ali naquele momento que durante todo o tempo, a embarcação estava em movimento. O capitão os chamou para entrar na cabine e os mostrou os controles do veículo que se assemelhavam muito às naves da Guarda Solar que levaram os cidadãos de HexaTri à HexaCell. Amon percebeu que o funcionamento dos veículos eram muito parecidos e aquele conhecimento seria muito útil futuramente.

Pouco tempo depois as máquinas pararam e o capitão anunciou a chegada em ArbCell, Hatset, Sin e Amon desembarcaram sem problemas, cruzaram o portão e não havia sinais da Marinha de Sobek, Guarda Solar ou o próprio deus responsável pela célula. O céu, embora iluminado pelo pequeno sol de Horus imponente em HelioCell, possuía o mesmo tom púrpura que a hexacity de origem do grupo.

A diferença mais gritante para TriCell era o chão coberto por uma fina camada de água que brotava dos pés da grande estátua de Sobek no centro da célula, que assim como a estátua de Hator parecia reverenciar HelioCell em respeito a Horus. A estátua era branca com os únicos detalhes em dourado sendo a lança e a coroa de Sobek.

Havia uma pessoa caída de bruços boiando próxima aos pés da estátua de Sobek, Amon, prestativo correu em sua direção para saber se estava tudo bem, ao virar a pessoa, Hatset se assustou ao ver seu peito aberto sem sinal de seus órgãos internos, seu pescoço parecia ter sido cortado por uma lâmina semelhante a representada na estátua do deus Sobek, a expressão em seu rosto retorcido era a de pânico, seus braços pareciam quebrados por algo forte, que o impediu de se defender.

Antes que um pudesse falar com o outro um capuz preto foi colocado no rosto dos três e uma voz abafada disse:

- Venham conosco sem resistência, Sobek irá recebê-los.

Continua...

Por: Tot

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