CyberHorus - A crônica de Tot Capítulo 4 - Hator

17/11/20

Tot, o deus egípcio dos escribas é famoso pelos seus contos e crônicas, desta vez em conteúdo original, será iniciada uma série escrita que contará a história de um futuro distópico governado pelo misterioso Deus Hórus e suas células de poder.A história possui elementos Cyberpunk e Steampunk e contará uma jornada de autoconhecimento do misterioso Amon.Perdeu o capítulo anterior?Capitulo 4 - HatorSinthemet correu em direção ao seu amigo, caiu de joelhos na sua frente e o abraçou, Amon chorou e seu coração apertou, ele sentia que seu amigo não pertencia àquele lugar, ele sentia que nada daquilo fazia sentido e que não era justo. Ao sentir o cheiro da ração ainda quente saindo da máquina potencializada pelas caldeiras e o vapor quente, Amon sentiu a lembrança do sabor daquela ração e só em pensar que por todos esses anos ele havia litaralmente comido os restos mortais dos anciãos, animais e frutas mais velhas descartadas no pomar de Hator, ele empurrou seu amigo e vomitou.Hatset incrédula, ainda não havia dito nenhuma palavra sobre os horrores que acabara de ver e só pensava apenas em uma questão "Como?!". Sinthemet levantou-se e levantou seu amigo, com um tom preocupado, Sin apenas dizia:- Saiam daqui, vocês não deveriam ter vindo aqui, eu não posso! Eu não posso fazer isso com vocês, não vocês.- O que você quer dizer com isso, Sin?! - questionou Amon.- Não posso matar vocês, vocês não têm culpa do que está acontecendo aqui, por favor não. Vão embora antes que ele chegue.- Quem, Sin? Quem está aqui? - disse Hatset.- Não faz sentido, ele deveria estar aqui.- Diga logo de uma vez, meu irmão, quem deveria estar aqui? - falou Amon incisivamente chacoalhando seu amigo.- Eu!E neste momento, Sinthemet fez uma cara de terror indescritível fazendo Hatset e Amon virarem-se e ver o parceiro de trabalho de Sinthemet, um homem magro, alto, com pele negra como aquele ambiente, sua pele era ainda mais escura que a de Sinthemet, ele também não usava camiseta, mas seus pés estavam descalços e seu corpo estava vestido apenas em uma calça curta com manchas de sangue, em sua mão direita havia um machado pequeno com rachadura no fio.- Por favor, Tut, não os mate!- Então você é Tut! - exclamou Amon.- O Antigo parceiro de Ramma? - complementou Hatset.- Ele era tudo para mim, quando nos separaram precocemente meu mundo caiu. Ela disse que era minha aposentadoria precoce, e que em breve Ramma iria se juntar a mim, mas só queriam me mudar de função, tiraram tudo o que eu sentia de bom quando me tiraram dele e mataram todo o amor que eu ainda podia sentir por alguém quando me obrigaram a matar ele, partir seu coração partiu o meu e agora vocês vão pagar.- Ramma não sabia, Tut, por favor, isso não é certo. - Sinthemet suplicou.- O que não é certo é aquele monstro me obrigar a matar aquelas pessoas inocentes cheias de esperança, me forçar a trocar um ambiente de amor e vida por um de sujeira e morte, me destruir pouco a pouco e quando eu finalmente tive a chance de reencontrar Ramma e me encher de esperanças, ele não me reconheceu mais, me olhou com medo e nojo, tentou fugir de mim. Eu não queria matar Ramma, ela me forçou.- Ela forçou a todos nós, Tut, podemos ser maiores que ela, já se passou muito tempo, mas ainda resta um pouco de amor e humanidade em nós. - disse Sinthemet.Tut avançou em direção aos três, Sinthemet se colocou à frente para impedir que o louco matasse os dois inocentes e segurou a mão armada do angustiado homem, Amon partiu para cima do conflito e tentou ajudar Sin a sobrepujar Tut, Hatset não era mais vista na sala, mas os três no calor da luta não perceberam.Amon desferia socos no corpo de Tut enquanto Sinthemet segurava-lhe as mãos impedindo o homem de machucar as pessaos entre a escuridão. O antigo parceiro de Ramma era magro, mas o ódio lhe dava força e tirava-lhe a percepção de que estava em menor número e provavelmente poderia ser derrotado, a força fazia tudo aquilo não ser relevante, ele mataria os três se pudesse e não hesitaria em matar a própria Hator se isso a fizesse pagar pela morte de Ramma.Tudo isso ocorreu em poucos segundos, segundos que pareciam horas, pouco tempo que parecia uma eternidade, cançando Sinthemet e deixando Amon sem forças para golpaer mais o pobre Tut. Mas antes que o perturbado homem pudessa machucar alguém, Hatset procurava o machado que Sinthemet usava para esquartejar seu antigo mentor, mas não achava, quando escutou os gritos desesperados dos amigos aflitos, ela pensou rápido para improvisar uma arma, ela pegou o braço de Ramma que estava caído no chão e tirou a carne ao redor dos ossos, expondo a ponta de seu úmero que havia sido partido por Sinthemet durante o esquartejamento.Hatset saiu das sombras e surpreendeu Tut com uma perfuração em seu pescoço, o osso do braço de Ramma atravessou suas veias e o fez engasgar no próprio sangue, o homem consternado perdeu suas forças rapidamente e desabou sobre Sinthemet que ainda segurava seus braços. Sin largou o homem e apenas disse aos seus amigos:- Voltem rápido antes que alguém apareça, se alguém perguntar eu digo que fui atacado e reagi, por favor, eu não seria capaz de punir vocês e isso só faria nós três morrermos. Voltem para a superfície antes que alguém descubra e seja tarde demais!Quando Hatset e Amon viraram-se em direção ao corredor que levava às escadarias, uma silhueta estava à espera dos amigos, a primeira coisa que foi iluminada pelo quente fogo da morte foram os detalhes dourados dos chifres de Hator que reluziam e em seguida revelaram sua máscara e seu grande e belo corpo.- Já é tarde demais, eu vi tudo. - disse Hator em pessoa - Vocês achavam mesmo que eu não saberia o que acontece em meu domínio? Eu sabia o que vocês iam fazer, e sabia que ia ser interessante. Por isso permiti que chegassem até aqui.- Você acha que eu não percebi que estávamos sendo vigiados? - disse a confiante Hatset.- Como assim? - Questionou Hator transtornada.- Você estava na biblioteca quando questionei Amon pela primeira vez, eu te vi atrás da estante de livros. Em seguida te vi no pomar colhendo maças no setor ao lado dos pessegueiros. Te vi entre os muros perto da entrada dos portões, e quando estávamos no final do corredor, o portão iluminou mais quando se abriu para você entrar. Você acha que se esconde sem máscara, mas eu não sou como os outros, eu não sou burra! Então diga logo o porquê não nos matou quanto teve sua chance! Quem você é realmente, Hator? ou deveria te chamar de Sekhmet?- Como você pode saber disso? Questionou a deusa intrigada.- A primeira vez que te reconheci na biblioteca, você estava no setor de livros de história da nossa cultura e estava devolvendo um livro que falava sobre o conto de Sekhmet. Eu sabia que quando Ramma estava por perto, você não estava, me aproveitei da confiança dele e ao pegar livros de botânica desviei do caminho rapidamente e peguei um dos livros sobre este conto, escondi e levei ao meu dormitório. Então conte para nós quem você é, quem foi e o que fez. Conte porque tem curiosidade em saber o que planejamos fazer e quando ia nos contar. - exclamou Hatset com tons de certeza e astúcia, Hator sabia que seu tom firme escondia seu medo do que a deusa era capaz.- Reconheço que você é astuta e muito inteligente, criança. Eu queria saber a quem vocês são leais e qual lealdade e fidelidade valeria mais do que a lealdade aos que lhes tiraram da miséria e lhes estenderam a mão. Percebi que Sinthemet e Hatset são leais a Amon e Amon é leal aos dois que ainda não se conheciam, uma tríade que juntos mostram para mim que a lealdade à amizade entre vocês é maior que a lealdade aos deuses. - Hator continou - Acho que o mais justo é contar a vocês a minha história. Mas antes quero que me acompanhem.A deusa guiou os três amigos para fora do purgatório antes chamado de Oásis, os levou para seu palácio particular na praça central atrás da grande estátua de Hátor, ela ordenou que os vassalos se lavassem para tirar o cheiro de sangue e morte do corpo, pediu para um membro da Guarda Solar escoltar os três ao cômodo de banho e ordenou ao soldado.- Eles querem me ouvir, então eles me ouvirão, acompanhe eles até que estejam limpos e em minha sala, até lá se algum deles ousar se comunicar atire nos três sem ao menos pensar.Eles sabiam que não deveriam questionar as ordens, desta vez, Amon pensava como Hatset poderia ser tão perspicaz a esse ponto e como ela não havia falado nada a ele assim. Em seguida justificou em sua própria mente que como eles estavam constantemente sendo vigiados, Hator poderia tê-los matado assim que Hatset lhe revelasse a vigilância.Os três foram ao quarto de banho, havia um grande tanque ao centro com água quente roupas para os três estavam dispostas em um grande banco próximo a uma saída de vapor quente do mecanismo que aquecia a água que saía da cascata na extremidade do tanque, o mesmo mecanismo que aquecia a água e a dispensava na cascata também puxava a água no fundo do tanque tornando um ciclo de renovação e purificação. Amon pegou o lenço vermelho de sua mãe, passou o sabão que usaria depois para lavar seu corpo e o lavou no tanque de água, em seguida pendurou o lenço molhado na saída de ar quente para secá-lo. Seus amigos já estavam se lavando quando Amon tirou sua roupa e caminhou em direção à água, Hatset o viu sem roupas pela primeira vez e percebeu porque seus companheiros de quarto e antigos companheiros de trabalho o perturbavam. Para ela aquilo era comum e as provocações eram apenas expressão do medo e curiosidade dos que não suportam diferenças, ela sentiu vontade de abraçar o envergonhado Amon e dizer a ele essas palavras, mas o soldado ainda estava de pé observando. Hatset sabia que tudo de ruim que Amon já sofreu em sua vida o tornou um homem mais forte e mais decidido, sem perder sua ternura e isso a comoveu.Os três já estavam limpos e adentraram o salão do trono de Hátor, a sala era grandiosa, com paredes azuis com hieroglifos dourados, seu trono estava ao fundo posicionado no centro da parede acima de uma escada de um lado havia sua estátua imponente feita de pedra branca sem máculas, do outro lado uma deusa com o mesmo corpo, mas com uma cabeça de leoa, sua estátua era negra e com máculas vermelhas, Hátor mandou os três se ajoelharem e começou a contar sua história.- Há muitos séculos, o mundo estava em guerra, a maior guerra entre nações, homens querendo erguer-se acima de outros homens, todos semelhantes, mas não enxergavam essa semelhança, se viam diferentes apenas por cor da pele, religião ou por preferências sexuais. Eles recorriam a todo tipo de forças se isso os fizessem impor sua visão sobre os subjulgados, uns construíam bombas, outros contavam com a força numérica e camaradagem, outros buscavam formas ocultas e metafísicas de ganhar a guerra. E foram esses, os homens do norte que por anos dominaram e massacraram nosso povo, que recorreram à força de nossos deuses para se fortalecerem, eles despertaram Hórus e ao ver que nosso Pai tinha a pele mais escura que as suas e não era a representação estética dos músculos dos deuses de sua cultura, eles tentaram matar Hórus. - e continuou dizendo.- O Pai parou a rotação da Terra, prendendo-nos à este meio dia nem tão quente quanto o leste e não tão escuro e frio quanto o oeste, ele subjulgou todas as forças que tentaram derrotá-lo construiu este organismo e despertou seus filhos para governar e proteger. Os engenheiros da morte vieram do oeste e tentaram nos atacar com suas bombas, os irmãos vieram do leste numerosos e incansáveis e Hórus precisava de uma defesa, ele me despertou, forjou minha representação de força e em forma de leoa me batizou de Sekhmet. Hórus ordenou que eu devorasse quantos inimigos eu conseguisse, ele me deu uma fome insaciável e uma fúria incontrolável, ele me colocou ao lado de fora do organismo como as feras do deserto que devoram os desertores e então me soltou. - neste momento Hátor tinha lágrimas nos olhos.- Passei dias correndo pelo mundo, fui ferida, machucada, bombardeada, mas de alguma forma nada podia perfurar meu corpo ou ultrapassar a armadura que meu pai me deu, devorei incontáveis quantias de homens e máquinas, fui responsável por libertar monstros de outras dimensões, seres de múltiplos lugares, todos me respeitando e respeitando minha origem dividindo o desprezo pela humanidade que no passado se destruía e quando não havia mais homens e mulheres no mundo, voltei ao Pai, como sua vitoriosa deusa da guerra, uma besta selvagem e ainda faminta. - suas lágrimas não eram comoção, eram de ódio.- Ele me apunhalou no peito e disse que naquele momento, Sekhmet morreria para renascer ao nome da Hator, uma aura de amor e ternura me envolveu, ele tirou aquela máscara cheia de ódio, tirou minha armadura, me deu novas vestimentas de paz e uma nova máscara que representaria o amor e a fertilidade, a minha fome cessou e desde então estou em jejum, pois o amor me sustenta, por isso deixei vocês vivos, aqui é quieto e pacífico, no início o Oásis era minha distração, mas aquela morte ainda era banal e tediosa, ter vocês como elemento externo me daria emoção, mas não contava com a lealdade de Sinthemet à sua amizade a Atom, mesmo Atom não sendo um homem como os outros, Sinthemet não sente desejo e amor, sente apenas respeito e lealdade. Isso me intriga. - Hator observava os olhares confusos do trio e sabia que eles jamais poderiam voltar ao convívio em TriCell, e nem revelar os segredos aos outros vassalos das células ou das hexacities.- Vocês possuem uma informação valiosa, não posso arriscar o bem estar de nosso organismo libertando vocês de volta em TriCell ou HexaTri. Vocês partirão imediatamente aos domínios de Sobek em ArbCell, lá ele lhes dará uma missão que provará se vocês são dignos de pertencer a este organismo e o mais importante, manter suas vidas.Continua...Por: Tot

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