CyberHorus - A crônica de Tot Capítulo 2 - Um mundo novo

17/11/20

Tot, o deus egípcio dos escribas é famoso pelos seus contos e crônicas, desta vez em conteúdo original, será iniciada uma série escrita que contará a história de um futuro distópico governado pelo misterioso Deus Hórus e suas células de poder.A história possui elementos Cyberpunk e Steampunk e contará uma jornada de autoconhecimento do misterioso Amon.Perdeu o capítulo anterior?Capitulo 2 - Um mundo novoOstentando os trajes em púrpura e dourado, os escolhidos de TriCell fizeram seu pronunciamento:- Saudações, cidadãos de HexaTri. Viemos para o arrebatamento anual em recompensa pelos seus esforços e devoção. Primeiro listaremos o nome dos anciãos que desfrutarão de sua aposentadoria em TriCell, em seguida dos promissores jovens que terminarão sua jornada de trabalho até a idade limite em nossa célula, realizando trabalhos menos árduos fisicamente, mas igualmente importantes para o funcionamento deste grande organismo. Conforme citaremos vossos nomes, levantar-se-ão e irão embarcar no transporte no porto de pouso acima da torre de supervisão na entrada do canteiro de obras.Uma mulher, alta, bela e de lindas tranças, sob uma pele bronzeada pela proximidade com o sol de HelioCell pegou uma lista e disse os nomes em ordem de idade, do mais velho ao mais novo, muitos nasceram no mesmo dia e até mesmo na mesma hora, mas o departamento de registros possuía um controle detalhado sobre os nascimentos, incluindo os minutos e segundos.- Ramet Putt, Larksep Ramm, Bassk Asset, Bast Arch...Um a um, os anciãos saíram do refeitório, sem ao menos iniciar sua refeição, se aglomeraram ao lado de fora do refeitório e um soldado com sua grande máscara azul e dourada guiou as pessoas até o porto de pouso, onde Amon podia ver o grande monstro de metal parecendo uma barca, mas feito em bronze e cobre, suas engrenagens aparentes se cobriam com a fumaça de vapor que saía do gerador de energia abastecido com capsulas de água fabricadas nas Células acima.Em seguida a mesma mulher trocou a lista e disse os nomes de três pessoas apenas, que segundo ela iriam para TriCell aprender novas funções e viver uma nova vida, entre os nomes, Amon e Sinthemet, o terceiro a ser chamado foi um homem quase anônimo chamado Calisto, ele nunca se uniu às provocações entre os trabalhadores, mas ao anunciar o terceiro nome, Arhmed, um dos protegidos do supervisor fez uma objeção.- Isto é uma farsa, eu mais do que todos aqui dedico minha vida a realizar a obra de Hórus, nunca desafiei Sua autoridade e sempre me curvo diante sua estátua no centro antes de pegar minha ração e minha água, bajulo o supervisor e respeito a Guarda Solar, como ousam desrespeitar minha devoção?Neste momento a lateral do capacete do Líder da Guarda brilhou, ele apenas acenou com a cabeça, desacoplou a peça e entregou à porta voz de TriCell. O comunicador brilou novamente na mesma frequência e ela discursou presumidamente repetindo palavras do próprio Hórus.- Eu, Pai do organismo, senhor deste deserto vos dei a vida, vos alimento e vos dou proteção. A única coisa que peço em troca e respeito e devoção, como tu ousas a blasfemar contra o meu poder? Não sou benevolente, ou maligno, sou justo e com tu farei justiça.Neste momento o Líder da Guarda Solar ergueu sua arma e com apenas um facho de luz queimou a cabeça de Arhmed, fazendo cair ao chão nada mais que um crânio queimado, que desmanchou ao tocar a terra amarelada, seu corpo caiu de joelhos no chão e antes que terminasse sua trajetória final, dois soldados pegou seu corpo e o levou para a nave com os três escolhidos. Ninguém mais fez objeções.A viagem foi rápida, o corpo de Archmed foi em um compartimento de bagagens, infelizmente Amon só pensava em sua mãe e como não pôde despedir-se dela, ou pegar algum pertence pessoal, talvez uma roupa favorita ou lenço, embora nunca mais fosse preciso usá-lo para filtrar a poeira, Amon mantinha-o enrolado ao redor de seu pescoço. Fora isso, a única coisa que mantinha consigo era sua camiseta, suas luvas de trabalho, calça e botas marrons, um outro lenço, mais grosso era amarrado à sua cintura cobrindo uma das pernas na altura da coxa, um par de óculos grandes estavam junto ao lenço e ambos eram usados apenas em caso de tempestade de areia. Suas roupas eram bege, quase em tons desérticos combinando com o igualmente neutro tom de pele que não era claro, mas também não era tão escuro como o de Sinthemet, o único destaque estava em seu lenco da cintura que era vermelho escuro, com detalhes costurados em amarelo nas bordas. Durante a viagem, o corpulento Sin só conseguia dizer o quanto estava com fome e lamentava por não ter comido sua ração.Claramente o transporte foi o último a pousar na grande célula. Ao desembarcar em TriCell, os anciãos foram conduzidos para o Oásis, no subsolo da grande célula para desfrutar de seu praticamente eterno descanso. Amon, Sinthemet e Calisto foram conduzidos à um complexo com dormitórios, os três dividiriam o quarto, os outros pareciam estar ocupados por outras pessoas recém chegadas, mas que não estavam lá no momento. Os anfitriões os conduziram a uma sala com água corrente, que descia por canos como as que desaguavam no centro da hexacity, mas era em fluxo mais abundante e em temperatura mais agradável, havia sais que os três passavam nos diferentes corpos e espumas surgiam para tirar a sujeira e trazer perfume. Ao voltar ao quarto, roupas novas foram dadas aos escolhidos, eram em tons te branco com detalhes pretos, afinal, toda a célula era branca com detalhes pretos, até mesmo uma grande estátua de Hator, filha de Hórus no centro da célula era branca com detalhes pretos e grandes chifres dourados. Talvez as únicas coisas que não fossem brancas ou pretas eram os tons de pele variados dos sacerdotes e trabalhadores que ali estavam. Amon não estava confortável com todo aquele branco e preto, por isso pegou o velho lenço rubro e o amarrou novamente em sua cintura da mesma forma, sua roupa branca, cintos, botas e luvas pretas agora eram ofuscados por seu belíssimo lenço vermelho.Sinthemest podia estar deslumbrado mas ainda queixava-se da fome após metade de um dia de trabalho árduo e um período sem sua tão estimada ração. Mas suas palavras se calaram quando os escolhidos foram conduzidos à uma grande porta dupla que dava em um salão e o enorme homem se deparou com um banquete enorme, com coisas que nenhum deles ou nenhuma das outras trinta pessoas (tiradas de dez pontos diferentes da hexacity) tinham visto antes.Na longa mesa havia animais inteiros mortos, mas sem a aparência repugnante de cadáveres, estavam tostados em cores belas e douradas, havia também pratos enormes com cereais, frutas e vegetais que alguns ali só tinham conhecimento através de leituras descritivas de histórias que para todos era apenas fantasia. O cheiro do salão era maravilhoso e preenchia o estômago dos presentes com uma sensação de fome inédita para a maioria dos presentes, inexplicavelmente suas bocas enchiam-se de água e diante de tantas coisas novas e de aparência saborosa, ninguém percebeu que o clima naquela célula era fresco, sem o calor escaldante das cidades. Ao longo do belo salão havia barris enfileirados nas extremidades do salão, intercalando entre si uns contendo bebidas doces de cor avermelhada e outros com bebida dourada com um leve amargor e espuma encorpada, ambas as bebidas traziam conforto, refrescância e um sabor totalmente novo aos seus paladares.Quando todos estavam provando as mais variadas delícias e as mais estranhas criaturas que embora estivessem mortas e carbonizadas, possuíam sabor e suculência inigualável e indescritíveis aromas. Antes que pudessem perceber, todos estavam mais que satisfeitos e já estavam praticamente sentindo-se em casa, Amon quase esquecia-se de sua mãe e neste momento de amor e ternura em seu coração, a grande porta do salão se abriu revelando a imponente figura de Hator.Continua...Por: Tot

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