CyberHorus - A crônica de Tot Capítulo 12 - Ressurreição

17/11/20

Tot, o deus egípcio dos escribas é famoso pelos seus contos e crônicas, desta vez em conteúdo original, será iniciada uma série escrita que contará a história de um futuro distópico governado pelo misterioso Deus Hórus e suas células de poder.

A história possui elementos Cyberpunk e Steampunk e contará uma jornada de autoconhecimento do misterioso Amon.

Perdeu o capítulo anterior?

Capítulo 12 - Ressurreição

O sobretudo de Amon era pesado, seu corpo machucado ainda doía, Hórus sem um braço ainda parecia majestoso e confiante.

- Você tem que morrer, o povo deve ser liberto. - disse Amon.

- O povo não quer ser livre, o povo quer o que eu quiser para eles, antes de você havia outros, eles tentaram, pregaram, fizeram reuniões, distribuíram manuscritos, reuniram pessoas. Nada disso teve força o suficiente para colocar MEU POVO contra mim. - respondeu Hórus.

- Um povo que nunca teve sua liberdade não enxerga o valor que tem o poder de escolha, o que tínhamos nas hexacities era a ilusão de liberdade, projetada por você e sua Guarda Solar. Agora o povo saberá o que é realmente ter escolhas, trabalhar juntos para criar um futuro melhor, ao invés de trabalhrem para manterem suas vidas miseráveis e sustentar suas riquezas. Eu vi o encarregado do canteiro de obras onde trabalhei se por acima dos trabalhadores por ter uma posição de mais poder, mas continuar morando nas mesmas habitações e comendo a mesma ração que todos nós. Vi a preciosa Guarda Solar na mesma posição deles, são pessoas sem acesso a verdadeira sabedoria, pois o sábio trabalha pelo seu povo, o ignorante trabalha apenas por si mesmo. - disse Amon sentindo a pressão em seu peito, seu corpo tremendo e sua voz falhando.

- Você ainda acha que pode ser o libertador de seu povo, mas quando eu emergir das cinzas, você sofrerá! - respondeu Hórus.

Hórus correu na direção de Amon que correspondeu correndo na direção oposta, batendo de frende com o Deus falcão, Amon tentou desferir um golpe de sua Kopesh, mas Hórus era rápido e muito ágil, ele desviava de cada golpe como se Amon fosse lento e frágil, mas o jovem era determinado e muito mais rápido em seus movimentos do que fora durante a derradeira batalha contra os deuses.

Na tentativa de cortar a cabeça de Hórus, com um golpe transversal, o Deus usou seu único braço restante para segurar o punho do jovem guerreiro que não conseguia crer nos seus olhos, neste momento de surpresa, Hórus deslizou sua mão do punho de Amon para o cabo de sua Kopesh, puxou a espada para si e tentou golpear Amon, que com um salto para trás sentiu a ponta da lâmina atravessar o ombro de seu sobreturo pesado e resistente. A lâmina perfurou o grosso couro e chapas de metal como se fossem linho fino, Amon caiu e gritou de dor.

Hórus pegou a curva espada e lançou na direção de Amon que rolou para a esquerda fazendo a Kopesh entrar nos escombros de uma das estátuas que estavam espalhados pelo chão, Amon tentou retirar sua arma, mas ela estava muito profunda na rocha e Hórus caminhava lentamente em sua direção.- Você confia demais em armas, por isso vai morrer. - disse Hórus.

Amon então se levantou e correu em direção ao deus, trocando socos com Hórus que contragolpeava com socos mais fortes. Por estar sem um dos braços era golpeado com mais facilidade, mas sua esquiva o tornava perigoso, seu único braço ainda era letal e golpeava com mais força que Amon com as duas mãos.Amon podia ouvir uma nave se aproximando da grande pirâmide, mas não podia se distrair, ele continuava golpeando Hórus e tentando se defender e desviar dos golpes do imponente e poderoso deus. Com um soco forte na barriga, Hórus se curvou para frente urrando de dor, Amon estava ficando mais forte. O jovem pulou rotacionando seu corpo e dando um chute rodado em Hórus, fazendo-o cair à alguns metros de onde havia recebido a primeira rajada de energia da poderosa Ísis no corpo de Hatset.

Quando Amon aterrissou no chão após seu golpe, ele caminhou até Hórus, que estava perto, mas quando estava prestes a finalizar a luta, a porta do grande salão se abriu.

Um membro da Guarda Solar, todo machucado, com seu capacete quebrado entrou no salão de Hórus com uma refém e Amon não podia crer em seus olhos.

- Senhor, achei ela, e trouxe para você como me ordenou! - disse o soldado com a mãe de Amon nos braços, chorando nitidamente temerosa por sua vida

Amon parou por um instante, afinal, a vida de sua mãe estava em risco. Hórus se Levantou e agora estava com sua lança novamente, ele apontou a arma para Amon que estava estático uma grande estátua atrás dele projetava uma sombra que cobria os dois, vários pontos do salão eram iluminados pelo pequeno Sol de Hórus cuja luz invadia o lugar pelas rachaduras nas paredes e teto, sua mãe estava iluminada e parecia tão bela, embora Amon convivesse pouco com sua genitora ainda se lembrava dos bilhetes dela pela manhã e ainda tinha seu lenço amarrado ao corpo. Hórus riu e ordenou ao seu Soldado.

- Mate-a!

Uma rajada de energia saiu de sua arma desintegrando completamente a cabeça da mãe de Amon. Que simplesmente abaixou a cabeça.

- Agora que sua mãe morreu você morrerá sozinho e triste. - disse Hórus.

- Não estou triste. - respondeu Amon em tom baixo.

- Como?! - indagou Hórus incrédulo pelo rapaz que acabou de perder sua mãe.

- O seu sistema sujo e desumano. Tirou minha mãe de casa, fazendo-a trabalhar dia e noite incansavelmente para provar seu valor à você e ganhar uma passagem para TriCell. Fez meu pai literalmente morrer de tanto trabalhar quando eu ainda era um bebê, eles viveram para você, se ausentaram de minha vida por tanto tempo que eu não consegui me apegar a eles da forma como você se apegou à Ísis. Você teve seus pais, você teve amor e por isso julga que eu agiria da forma como você se perdesse seus pais, Eu senti a sua dor quando você abriu o baú, senti sua frustração quando ficou sabendo que Osíris liderou os ataques e isso te enfraqueceu. Mas eu não estou triste... ESTOU NERVOSO!!! POR SUA CULPA NÃO CONSEGUI AMAR MEUS PAIS E ELES NÃO CONSEGUIRAM ME AMAR POR CAUSA DA NOSSA DEVOÇÃO DOENTIA!!!

Amon então deu um passo na direção de Hórus que disparou uma rajada solar de sua lança direto no peito do guerreiro que simplesmente firmou seus pés no chão, pé esquerdo à frente, joelho flexionado, perna direita esticada e pé atrás, seus punhos cerrados nas laterais do corpo. Amon gritava sentindo o calor ser em parte absorvido pelo peitoral e carregando sua luva com pura energia, mas o calor era forte demais e a peça do peito começou a derreter. O Soldado vendo aquilo não conseguia acreditar, ele caiu de joelhos.

Hórus parou de disparar e sentiu que não podia mais vencer a determinação de Amon. O deus também caiu de joelhos frente à grandeza de um cidadão comum explorado, triste, deslocado e com ataques de ansiedade, mas que com um objetivo tornara-se maior que o Rei de todos os Deuses.

Lágrimas saíam dos olhos de Amon, que não disparou a energia acumulada em seu bracelete, apenas desferiu muitos socos em Hórus, ele se virou, deu alguns passos e com um único puxão, tirou sua Kopesh dos escombros como se a arma estivesse enterrada em terra molhada. Hórus tentou se levandar, mas sentia muita dor, o deus ficou de joelhos, em seguida se apoiou em uma das pernas, colocou a mão no joelho e fez força para levantar. Amon então cortou sua perna de apoio fazendo Hórus cair novamente no chão.

- Fique no chão, você não sofreu o bastante. - disse Amon

Ele desferiu alguns golpes com sua Kopesh, quebrou adornos e rasgou o corpo de Hórus em vários pontos, naquele momento, os antes imponente Deus estava chorando e implorando por sua morte. Amon olhou para a sua arma, a lâmina havia quebrado, suas mãos estavam cobertas de sangue e ele sentiu que naquele ponto ele havia se tornado um monstro pior que Hórus, o ódio lhe cegou e a punição parecia ter sido excessiva.

Amon também pensou em todas as pessoas que Hórus fez sofrer, todos que morreram tentando provar sua devoção trabalhando sem parar para ganhar reconhecimento, sua mãe, seu pai, o homem no canteiro de obras no dia em que foi escolhido. Pensou em Ramma e seu companheiro que foram enganados e mortos, virando alimento.

Os sentimentos eram conflitantes na cabeça de Amon, ele sentiria remorso? Sentiria satisfação de seu destino cumprido? Vendo Hórus ali deitado fez Amon pensar em apenas uma coisa, acabar com aquilo e partir para os antigos domínios de Anúbis ver como estava Sin e Hatset. Amon então estendeu sua mão fechada e disparou o resto de energia que não fora descarregada nos socos.

O disparo foi suficiente para arrancar metade da cabeça de Hórus. Amon então se virou, pegou uma das naves e partiu para SixCell.

O que Amon se esqueceu é que o Soldado ainda aguardava ajoelhado no canto do salão. Ele correu até o corpo de Hórus e fez uma promessa.

- Mestre, eu sei que você não morre assim tão fácil, vou te levar para CinCell, ouvi dizer que Seth trabalhava em um projeto especial para os soldados e com certeza lá terá alguém para te ajudar.

O membro da Guarda Solar então pegou o corpo quase morto do Deus e partiu rapidamente para CinCell, voando baixo para Amon não vê-los. Ele pousou na Célula que ainda estava intacta, já que o povo e os soldados ainda lutavam contra as forças de Osíris, aquele era o último refúgio da Guarda Solar e os insurgentes encontraram grande resistência. Tempo suficiente para o Líder da Guarda Solar de CinCell receber o soldado.

- Quem é você? - disse o Líder.

- Sou apenas um soldado, resgatei Hórus, Seth está morto e você agora comanda este lugar.

- Por enquanto - disse o Líder - mas espero que seja o suficiente. Pegue ele, vamos às indústrias de Seth.

E os dois embarcaram Hórus em um veículo e partiram rapidamente para a grande fábrica de armas e veículos de CinCell, o centro industrial do organismo de Hórus. Eles estabilizaram as condições de saúde de Hórus e pegaram diversos equipamentos, embarcaram tudo em uma grande nave com ajuda dos soldados mais devotos e os construtores mais brilhantes. CinCell começara a ser invadida, pois a cidade havia sido tomada. Todos então partiram rumo à parte sombria e noturna da Terra, local onde nenhum deles havia pisado antes. E lá iniciariam a reconstrução de Hórus.

Após o completo domínio do Organismo de Hórus, Osiris Ascendeu à HelioCell, apagou o gerador que mantinha o pequeno Sol de Hórus acesso e pousou a célula central entre as hexacities, todos se reuniram  para assitir o grande discurso de Osíris.

- Meu querido Povo, os verdadeiros deuses não esqueceram de vocês, nunca nos esqueceremos. Hoje o que prevaleceu foi a vontade da maioria, o desejo de lutar, viver e ser livre. Durante muitas gerações Hórus tentou silenciar vocês, calar a voz da sabedoria e governar através do medo e devoção dos mais temerosos, ele fez as pessoas perderem a perspectiva de futuro e controle sobre seus destinos, isolou cada um em sua hexacity e fez da Guarda Solar seu órgão pessoal de repressão e controle. Digo que isso acaba hoje - neste momento todos aplaudiram - , Prometo que trabalharemos juntos em novas tecnologias, vocês terão acesso livre às hexacities e contato com todos os trabalhadores das Células, além dos recursos gerados por eles, chega de comer ração e beber somente água. A partir deste momento o povo sentirá o doce sabor dos frutos que o próprio povo planta, colhe e trabalha para produzir. DuoCell continuará a prover ajuda, mão de obra, livre acesso e todo suporte aos líderes que vocês decidirem e escolherem para governar suas hexacities. O regime de terror acabou, o regime do medo acabou, o regime do silêncio acabou. A partir de agora, começa uma nova era, uma era de esperança, produção, crescimento e acima de tudo, LIBERDADE!!!

Um estrondoso aplauso do povo livre marcou a passagem do tempo sombrio de Hórus pela luz da sabedoria de Ísis e Osíris.- E agora? - perguntu Sin em SixCell.- Não sei, sinto que devemos ir para a parte escura da Terra descobrir porque o mundo parou de girar, sinto que lá vamos enfrentar algo mais perigoso, mas as pessoas merecem ciclos de dia e noite, não só o escaldante sol. - disse HatSet.

- Então vamos partir para os domínios da noite, o que pode haver de pior lá que a gente não tenha enfrentado ainda? - disse Amon....

A nave que partiu de CinCell estava pousada em uma cidade deserta, iluminada por letreiros de neon, corpos espalhados ao redor de onde haviam pousado, pessoas que tentaram se aproximar foram dizimadas pela Guarda Solar.

A cidade era fria, o céu escuro da noite não representava medo, a cidade era muito iluminada, estabelecimentos de comércio com letreiros que indicavam os produtos e serviços daquela cidade que parecia ser vista do céu, placas escritas Бар и Коктейли e отель tornavam aquele ambiente diferente do que Hórus disseminava em seu organismo.

A nave estava parada em uma rua com sua porta de desembarque de carga e veículos aberta, faíscas de solda e o som de metais estavam contrastando com a escuridão do veículo e o silêncio da noite. Algo naquele lugar estava unindo a tecnologia de Seth com daquela nova terra para a criação de algo maior. Um movimento na penumbra indicava que alguém estava se levantando da mesa de solda e construção.

Caminhando para fora da nave se revelava aos poucos diante das coloridas luzes de neon. Uma das pernas de metal, com alguns mecanismos à mostra até a altura do joelho, a outra perna possuía uma bota padrão militar da Guarda Solar cobrindo parte de uma calça branca. Uma armadura peitoral branca e prateada protegia o corpo frágil, um dos braços era mecânico revestido de metalo outro braço continuava revestido pela armadura branca e nesta mão uma luva negra como a noite. Por fim se revelava a face de um novo deus, a mesma cabeça de falcão, metade natural com cicatrizes exibindo sua penúgem azul e dourada, mas metade metálica com um olho vermelho revestido pelo amuleto de proteção chamado O Olho de Hórus, a parte superior de seu bico também de metal trazia toda a imponência de um ser poderoso naquele novo mundo.

Nascia ali, CyberHorus.

Fim da Temporada 1

As notícias mais quentes