CyberHorus - A crônica de Tot Capítulo 1 - O Despertar

17/11/20

Tot, o deus egípcio dos escribas é famoso pelos seus contos e crônicas, desta vez em conteúdo original, será iniciada uma série escrita que contará a história de um futuro distópico governado pelo misterioso Deus Hórus e suas células de poder.A história possui elementos Cyberpunk e Steampunk e contará uma jornada de autoconhecimento do misterioso Amon.Perdeu o capítulo anterior?Capitulo 1 - O despertar:Na escaldante manhã, Amon Thep desperta em sua descofortável cama em seu quarto quente, ele anda até a mesa onde dispõe de sua ração e seu copo d'água matinal, sua mãe já partira para o trabalho e ele tinha apenas alguns minutos antes de partir para o seu. As janelas da casa sempre ficavam abertas, assim como as outras, sem proteção ou bloqueio de visão, assim como as outras residências e comércios de HexaTri, o que facilitava a vigilância da Guarda Solar e seus falcões mecânicos que faziam a escolta aérea para controlar a população e evitar aglomerações.Amon comeu sua ração, bebeu sua água e imaginou se um dia sentiria sabores diferentes em sua boca, ele viu quanto tempo faltava para voltar ao seu trabalho e logo sentiu as sensações rotineiras de toda manhã, suas mãos suavam, mas não era por causa do calor, sua respiração encurtava e não era por causa do clima seco e desértico, seu coração acelerava e não era de felicidade, ele sabia que a hora do trabalho se aproximava e sabia que as piadas e perseguições seriam inevitáveis, ele não era realmente querido em seu ambiente de trabalho, mas trabalhava assim mesmo. Pessoas sem trabalho nas hexacities eram marginalizadas e perdiam direito a ração e moradia, então, ou trabalhavam em empregos odiáveis, ou viravam pedintes e ladrões.Amon pegou um dos livros aprovados pela Guarda Solar e o departamento cultural de HelioCell, lar de Hórus, começou a ler para distrair seu ataque de ansiedade, os livros eram cheios de mentiras sobre como os deuses libertaram a humanidade da tirania de nações rivais e de como esses tiranos fizeram a Terra parar de girar, o livro explicava como o céu atingiu a coloração púrpura e como o Sol brilhando na HelioCell impedia os monstros do deserto de invadir as hexacities. Amon lia as mentiras e fantasiava sobre a história, mudando em sua cabeça o curso dos acontecimentos, sua imaginação lhe trazia distração e conforto.[caption id="attachment_3391" align="alignright" width="200"]

Amon sempre se sentia mal sempre que pensava em pisar no ambiente sufocante de seu trabalho.[/caption]

Ele olhou no relógio e percebeu que já era tarde e se não corresse chegaria atrasado ao seu trabalho, sua função era a de quebrar pedras e carregar os cascalhos até o triturador que será base para construção de novos edifícios, segundo seu supervisor, sua função era "essencial para o crescimento deste grande organismo". Amon correu por entre as pessoas para chegar ao canteiro de obras nos limites da hexacity, e após alguns minutos, chegou ao local cansado e suado, sua cabeça sem cabelos (como a maioria das pessoas ali) estava coberta por suor e uma fina camada de areia, ele pegou seu grande lenço e cobriu seu rosto e cabeça e começaria seu trabalho em seguida.

Sinthemet, seu único amigo chegou ao seu lado, ele estava sem camiseta, não tinha vergonha de seu grande corpo, se aceitava da forma que era, mesmo com as piadas de mal gosto de seus colegas de trabalho, Sin comia mais ração que os outros, mas ninguém tinha nada a ver com isso, já que tinha força para carregar mais ração que os outros, sua pele em tom mais escuro contrastava lindamente com o céu purpura, e o lenço que cobria apenas o topo de sua cabeça estava molhado para ajudar a amenizar o forte calor do pequeno sol no centro do organismo. Infelizmente Amon não podia trabalhar sem sua camiseta, pois não ouvia as mesmas piadas que Sinthemet ouvia, eram palavras mais duras e maldosas, quase sempre acompanhadas de violência com conivência de seu supervisor que se achava superior aos demais trabalhadores.

Sin disse a Amon que aquele seria o grande dia, o dia em que os Filhos de Hórus desceriam à HexaTri para escolher os mais velhos para enfim descansar em TriCell e algumas pessoas aleatórias para trabalhar em outras funções na célula que cobria a hexacity, Amon riu, pois sabia que as chances para qualquer pessoa subir é muito baixa e provavelmente os protegidos dos supervisores de distrito eram os escolhidos.O alarme soou e todos os trabalhadores foram encaminhados para o refeitório, que era coberto e possuía cadeiras para todos se acomodarem, lá havia uma estrutura baixa, mas que permitia que aqueles que subissem nela pudessem obervar do alto os que se sentavam no lugar destinado aos trabalhadores. naquele momento, após metade de um dia já cansativo, Amon caminhou até o refeitório, ouvindo as mesmas piadas e humilhações enquanto os protegidos do supervisor passavam-lhe a mão, Amon reprimia as atitudes e Sin correu em direção ao amigo rapidamente, não precisou falar nada aos assediadores, pois sua grande presença assustava os outros, que só se achavam fortes diante do magro e aparentemente frágil Amon.Sinthemet sentou ao lado de Amon, que descobriu seu rosto e cabeça ele havia esquecido sua ração em casa, por sorte, Sin sempre carregava uma porção extra. Antes que pudessem começar a comer, a Guarda Solar entrou no local fazendo um corredor na frente da escada que levava ao pequeno palco, as lanças nas mãos dos soldados diziam que a presença naquele momento seria nobre e quando bateram no chão as certezas se concretizaram, membros de Tricell subiram em seus trajes púrpuras como o céu com detalhes dourados e broches no formato do rosto de Hórus, eles se colocaram em suas respectivas posições para iniciar um pronunciamento.Continua...Por: Tot

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